A instabilidade nos mercados internacionais deve afetar as exportações agropecuárias brasileiras no ano que vem. Entretanto, os criadores de suínos não estão preocupados. Neste ano que está acabando, as vendas deles para outros países chegaram as 520 mil toneladas, 16 mil a mais do que no ano anterior. Isso mesmo com as restrições impostas pela Rússia, principal comprador deste tipo de carne brasileira. E para 2012, a expectativa é de crescimento, com aposta nos novos mercados.
Desde o meio do ano, quando a Rússia suspendeu os negócios com 85 frigoríficos alegando problemas no controle sanitário brasileiro, os produtores investiram em outros mercados como Hong Kong e Ucrânia. É de olho nestes países, pouco afetados pela crise na União Européia, que o setor projeta crescimento de até 15% nas exportações.
– O nosso status sanitário não deixa a desejar a país nenhum, tanto que tivemos recentemente missões da Coréia do Sul e Japão e as plantas foram aprovadas. Não há problemas do ponto de vista técnico – afirma o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes.
O crescimento é possível, dizem os analistas. No entanto, depende de mais abertura de mercados rígidos. É o caso da China. Atualmente apenas três frigoríficos brasileiros vendem para aquele país, outros cinco esperam a autorização do governo chinês.
– São mercados que você precisa negociar e conversar. A China tem sido cada vez mais exigente na qualidade, tem credenciado estabelecimentos. No passado os produtos eram exportados livremente e hoje não é mais – avalia o economista José Luiz Pagnussat.
Outra aposta é aumentar as vendas aqui mesmo no Brasil.
– A partir da subida do salário mínimo no próximo mês, é possível diversificar também para o mercado interno e carnes mais baratas como frango e suínos podem ser uma opção – diz o especialista em política internacional Virgílio Arraes.
Em janeiro, representantes do governo brasileiro viajam à Rússia na tentativa de fechar um acordo e retomar as vendas. A entrada do país na Organização Mundial de Comércio pode facilitar o processo, já que as restrições poderiam ter motivação política.
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